domingo, 16 de maio de 2010

PROCESSO DE CRIAÇÃO, SÁBADO 15

Ontem, em nossa segunda apresentação no Gamboa Nova, a improvisação nos levou a construção de uma narrativa diversificada e contrastante, de forma que caso o espetáculo fosse dividido em dois atos teríamos dois universos completamente distintos, ainda que complementares e re-signifcantes um do outro.


No primeiro bloco desenvolvemos um raciocínio linear tragicômico sobre um motorista de táxi que é incumbido de levar a mãe de um de seus clientes a um asilo. Ao chegar a residência da senhora o homem se desentende com a velha ranzinza e quando percebe que esta lhe furou o olho com uma bengala ( ele usava um olho de vidro- uma gude- que guardava de sua infância feliz) o taxista acaba por assassiná-la. A partir de então o homem vira um verdadeiro serial Killer, matando um por um os parentes da velha a quem a principio ele visita para dar a notícia do falecimento do ente. Ele anuncia a cada parente que visita que tem uma notícia boa e outra ruim. Com censo de humor apurado, sempre brinca que a notícia má é que o seu carro passava pelo mar e caiu num despenhadeiro.


Foi na metade do espetáculo que as coisas se modificaram drasticamente e a peça ganhou um tom mais experimental e corpóreo em detrimento da comédia besteirol que vinha se estabelecendo até então. Investimos numa atmosfera mais densa, palavras desconexas, discursos ufanistas e de auto-ajuda repentinos, até retornarmos a antiga lógica com o tocar de um telefone. Nosso personagem taxista atendeu como se tivesse acabado de acordar, testemunhou ter sonhado coisas estranhas, e confirmou com o seu cliente que poderia buscar sua mãe e levá-la ao asilo. No caminho até a casa da senhora o seu carro cai num despenhadeiro e o espetáculo tem o seu fim.

Podemos classificar o espetáculo de ontem como uma comédia do absurdo, com pontos claros de meta-teatro e uma certa influência daquilo que chamam de stand-up comedy.

A platéia escolheu o nome do espetáculo exibido ontem: “OS DEVANEIOS DE UM ATOR E SEU PUBLICO”.
Á baixo o depoimento do produtor do espetáculo, Kadu Fragoso:

“Assistindo HOJE (15/10/10) este trabalho que ainda não consigo entender plenamente (e resolvi não querer entender mesmo"ainda") me senti angustiado a todo instante por não saber qual caminho será dado em cada seqüência cognitiva, apesar de estar envolto na produção do mesmo. Era uma mistura de prazer e desprazer contínuo. Perceber de fato que estamos devorando um leão em cada minuto, em cada suor, em cada refletor que é ligado (e desligado), em cada instrumento musical e por que não dizer corpóreo.
Não podemos esquecer da "baba"! rs Ela pode ser imprescindível e usada como plena lavagem da alma imunda que está afetada pelos caminhos mais fáceis e patéticos.
A figura da religiosidade de fato também me parece presente de maneira latente e acho que não podemos nos prender apenas a uma religiosidade (seja ela qual for) e sim as inúmeras inquietudes religiosas e crendices que correm a nossa natureza humana. Para que até mesmo o ATEU possa dizer: SOU ATEU, GRAÇAS A DEUS!
Então por que eu posso dizer: Sou artista (...tento...), "GRAÇAS A EU, EU E MAIS UMA VEZ EU!"











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